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Como usar melhor as Ervas Medicinais

Observa-se que há um crescimento desenfreado da busca da cura pelos produtos naturais e com isto cresce a divulgação de que as plantas são milagrosas e não oferecem risco de efeitos colaterais. Este fato é um risco para a população, pois significa também que mais produtos serão produzidos e vendidos muitas vezes sem a preocupação com a garantia e qualidade da espécie.

1-Estar informado sobre a procedência das plantas:
Como sabemos cada planta necessita de cuidados para produzir os seus princípios medicamentosos, chamados de ativos. Quando a planta é domesticada ela precisa de tratos culturais definidos de acordo com a espécie e o melhor é contarmos com um agrônomo ou técnico para acompanhar esta etapa.

Conforme pesquisa realizada no EUA foi observado que muitas pessoas realizam extrativismo, ou seja, coletam as plantas na mata sem o devido controle, ocorrendo inclusive o risco de extinção, como já ocorreu com o ipê-roxo, a espinheira-santa, a aroeira, dentre outros.

Devemos também nos informar sobre a qualidade das plantas que vamos utilizar. É importante saber o local onde foram cultivadas, a data de validade e se há acompanhamento de técnico qualificado. Não se deve coletar e cultivar plantas em locais poluídos , em beiras de estradas e rios poluídos , próximo a fossa e esgotos , etc.

2-Estar informado sobre o modo de coletar
Caso você mesmo vá fazer a coleta evite retirar todas as folhas do mesmo galho ; jogue fora as folhas que estão contaminadas por fungos , insetos , etc. Retire as cascas em pedaços pequenos para evitar circundar todo o caule , pois poderá causar a morte da planta.

3-Saber o momento certo de colher
Existe diferença de época de colheita de uma espécie para outra, porém muitos estudos ainda estão sendo realizados e concluídos. Recomenda-se que se colete as folhas em dias secos e se evite os horários que o sol está muito quente, principalmente no verão. Para as plantas aromáticas principalmente, pois assim se evita a evaporação das essências aromáticas que são voláteis.

4-Saber conservar e secar as erva
Devem-se secar flores e folhas em locais ventilados, livres de sujeiras, à sombra, penduradas em varais ou em bandejas em camadas finas. Cascas , raízes devem ser lavadas com água corrente e colocadas para secar ao sol. Raízes muito grossas podem ser cortadas em rodelas. Após secas, devemos guardar picadas em pedaços, em vidros de preferência escuros, secos, tampados, à sombra, com etiqueta de data de coleta e validade, mais o nome da espécie. A validade varia de 3 a 6 meses.

5-Conhecer a parte da planta que quero utilizar
É extremamente importante conhecer a parte da planta que possui atividade medicinal. Caso contrário não poderemos obter o resultado esperado. Exemplo: a camomila utiliza as flores; o mulungu a casca; o quebra pedra a planta inteira; etc.

6- Saber o modo de preparar
Diferentes modos podem ser utilizados par o preparo das formas caseiras. Para o preparo do chá é melhor usarmos uma vasilha de porcelana, vidro ou barro.
É muito importante analisar a quantidade de erva que desejo preparar para evitar o desperdício. A medida deve sempre estar baseada em livros de pessoas qualificadas. Geralmente oriento o preparo da infusão a partir de partes de plantas secas ou verdes da seguinte forma.
Para uma xícara de chá de água devo infundir uma colher da de sopa da planta verde picada ou 01 colher de chá da planta seca.

7- Saber identificar a planta
É extremamente importante à identificação de uma planta. Todas as partes da mesma serão analisadas com base em botânica e depois comparadas em literatura especializada. Aqui em Vitória diferentes espécies são conhecidas com o mesmo nome, tais como: cidreira; hortelã; camomila; boldo; etc. Não comprar plantas sem a certeza de que alguém responsável às identificou.

8-Saber como usar
Quando não sabemos usar uma planta ou fitoterápico devemos sempre recorrer a um profissional de saúde experiente.
Precisamos estar atentos ao modo de uso seja interno seja externo, pois determinadas plantas não devem ser ingeridas, outras não podem ser tomadas por muito tempo como, por exemplo, o mentrasto.
Ao oferecermos fitoterápicos para crianças devemos redobrar o cuidado. Crianças até um ano, são muito sensíveis e devemos dar apenas uma medida de colher das de chá do infuso 3 a 4 vezes ao dia.
Muitas mães desconhecem isto e chegam a dar uma mamadeira cheia de chá, o que é incorreto.

9- Conhecer o tempo de tratamento
O tempo de uso e a quantidade diária são deveras importantes para o sucesso do tratamento. Determinadas doenças, tais como, diabetes, câncer, se usa preparações por muito tempo e devemos sempre acompanhar clínica e laboratorialmente o paciente.

10-Saber a toxicidade das plantas e contraindicações
Nem sempre se sabe, mas determinadas plantas produzem substâncias agressivas ao organismo humano, tais como: espirradeira, comigo ninguém pode, chapéu de Napoleão, pinhão paraguaio.
Para fazer uso de plantas em pacientes alérgicos e sensíveis devemos redobrar os cuidados.
Determinadas plantas não são recomendáveis na gravidez tais como losna, carqueja, alecrim, arruda, canela e boldo. Outras podem causar efeitos colaterais se ingeridas, tais como: óleo de copaíba, cascara sagrada, etc.

  By: Henriqueta Sacramento   Médica Fito terapeuta CRM ES 2789

 Especialista em Homeopatia pelo Instituto Hahnemaniano do Brasil

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