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Casa das Bananadas

Doces caseiros e um visual estonteante, assim é a Casa das Bananadas um lugar recheado de sabor e de boas histórias, por essa casa já se passaram gerações de famílias em busca do doce caseiro de sabor inesquecível. Frequento essa casa desde criança, e ainda hoje tem sempre o mesmo gosto de infância.

A história:

A famosa bananada de São Vicente, cocadas de fita, branca e preta, doces de batata doce roxa, de mamão, de abóbara, com ou sem coco, e outros doces caseiros têm freguesia certa entre artistas de cinema e televisão, famosos jogadores de futebol, turistas estrangeiros de passagem pelo porto de Santos, entre paulistanos e vicentinos também.

Em 1916, dois anos depois de inauguração da ponte pênsil, dona Maria Blume, catarinense de Joinville, abria à margem do Mar Pequeno, junto à ponte, sua casa de bananadas, doces caseiros e garapa. A casa era de sapé e dona Maria ralava coco com as mãos, junto com seu marido que ajudava na fabricação dos doces. A bananada era feita num tacho de cobre (que existe até hoje e ainda é usado), aquecido a vapor, um dos segredos de uma boa bananada pois o fogo direto endurece o doce.

Com o tempo dona Maria Blume foi aumentando a casa e a quantidade de doces para atender a freguesia, cada vez maior.

(Uma coisa que dona Maria gosta de lembrar é que, por volta de 1930, costumava contar quantos carros passavam por dia na ponte, “mais ou menos uns 15 carros e muitas carroças”, hoje está tudo diferente, passa tanto carro que não dá mais para contar”).

Para dona Maria Blume, hoje com 90 anos e homenageada pela Câmara Municipal por ser a mais antiga moradora da cidade, sua vida de comerciante terminou em 1952 quando o marido faleceu e ela passou a doçaria a seu filho.

Hoje a casa tornou-se conhecida até no exterior — seus doces, principalmente a bananada, já foram enviados para a Alemanha, Estados Unidos, Uruguai, Argentina e até para o Japão — está no nome de dona Neide, neta de dona Maria.

São 36 qualidades diferentes de doces, e durante a temporada são feitos de 50 mil por mês. A bananada, mais procurada, chega a vender 150 quilos por semana. Algumas vezes a bananada é vendida com cobertura de açúcar cristal, mas isso só acontece quando o fruto está muito maduro, e gruda no papel; quando está no ponto, não há necessidade disso.

A garapa, bem verde e bem gelada, que de parceria com a bananada era uma das tradições de São Vicente, já não se encontra mais lá pelos lados da ponte pênsil. Só em pastelaria de chinês ou em toscos engenhos ambulantes.

São Vicente teve pontos famosos de caldo de cana. O do senhor Antônio, que depois veio para o centro e fechou, e o de dona Maria, depois também fechado porque fazia muita sujeira e estragava o negócios dos doces por causa das moscas e abelhas. Eles acham que a garapa é bom negócio, mas dá muito trabalho para ficar gostosa. A cana-de-açúcar, tem que ser a de Juquiá, onde a terra é seca, boa para o plantio. A casca não deve ser tirada: raspa-se bem raspada, principalmente aparando as saliências junto aos nós. “É como fazer uma barba bem feita”, recomenda seu Antônio, mestre no assunto.

Os famosos doceiros de São Vicente dão esta receita de quindim, que tem dado resultado há 55 anos: ingredientes: meio-quilo de açúcar, um copo e meio de água, uma colher das de sopa de manteiga, 12 gemas, um pires de coco ralado.

Preparo: fazer calda com açúcar e água, mais ou menos grossa; tirar do fogo e colocar a manteiga; deixar esfriar, colocar as gemas, o coco ralado, e misturar bem. Depois colocar em forminhas untadas com manteiga, polvilhar com açúcar e pôr no forno bem quente, em banho-maria.

Se não acertar a mão, bem, o jeito é vir saborear seu doce predileto junto à ponte pênsil. É reunir o gostoso, ao agradável e bonito.

By: “Mar Pequeno tem receitas que são tradição há meio século”. A Tribuna. Santos, 19 de julho de 1970; foto: meninos de cumbica.
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